Andersen Viana
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Obra de Arte na era contemporânea
“[...] Se por um lado as facilidades trazidas pela moderna tecnologia realizam
facilmente tarefas de extrema complexidade nunca antes imaginadas a um
custo de produção muito baixo, a profunda compreensão dos meios de
criação e produção de nossos antepassados não estão tendo a devida
atenção. Essa constatação remete-nos a uma padronização conceitual e
intelectual de baixo nível, superficial, com pouco conteúdo, baseando-se
em valores que estruturaram-se e consolidaram-se nos últimos trinta
anos. Esses mesmos valores e conceitos são direcionados exclusivamente
pelo mercado, com suas relações de investimento e retorno financeiro,
gerenciados pela fórmula dos quatro pês (do marketing). Por detrás do
"conteúdo atrativo" de alguma criação artística - produto ou serviço,
pessoal ou coletiva - de modo especial em música e cinema - existe um
elaborado plano de promoção e venda. Claro que a cena atual está repleta
de exceções, devido principalmente a esforços pessoais e de pequenos
grupos organizados. Comparativamente, a relação entre a proporção
aritmética desses oásis criativos e a proporção geométrica dos produtos
de consumo de massa impostos por poderosos grupos econômicos detentores
de organizadas estruturas comerciais e promocionais não chega a ser
significante, mas o processo de pasteurização da arte e da cultura
atuais influencia diretamente os criadores, que infelizmente, acabam -
com o passar do tempo - por fazer mais e mais concessões, desfigurando,
por completo, algo que poderia ser diferencial. Fórmulas padronizadas
estão sendo amplamente difundidas através dos mais variados meios. Que
essas criações estereotipadas, essas meias verdades, objetivam o lucro
não resta dúvida - o que não acontecia nos séculos passados, mesmo se
uma obra fosse encomendada ou se o artista fosse um simples empregado
que deveria produzir arte para o consumo do patrão.”
Andersen Viana
Andersen Viana