quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Obra de Arte na era contemporânea

“[...] Se por um lado as facilidades trazidas pela moderna tecnologia realizam facilmente tarefas de extrema complexidade nunca antes imaginadas a um custo de produção muito baixo, a profunda compreensão dos meios de criação e produção de nossos antepassados não estão tendo a devida atenção. Essa constatação remete-nos a uma padronização conceitual e intelectual de baixo nível, superficial, com pouco conteúdo, baseando-se em valores que estruturaram-se e consolidaram-se nos últimos trinta anos. Esses mesmos valores e conceitos são direcionados exclusivamente pelo mercado, com suas relações de investimento e retorno financeiro, gerenciados pela fórmula dos quatro pês (do marketing). Por detrás do "conteúdo atrativo" de alguma criação artística - produto ou serviço, pessoal ou coletiva - de modo especial em música e cinema - existe um elaborado plano de promoção e venda. Claro que a cena atual está repleta de exceções, devido principalmente a esforços pessoais e de pequenos grupos organizados. Comparativamente, a relação entre a proporção aritmética desses oásis criativos e a proporção geométrica dos produtos de consumo de massa impostos por poderosos grupos econômicos detentores de organizadas estruturas comerciais e promocionais não chega a ser significante, mas o processo de pasteurização da arte e da cultura atuais influencia diretamente os criadores, que infelizmente, acabam - com o passar do tempo - por fazer mais e mais concessões, desfigurando, por completo, algo que poderia ser diferencial. Fórmulas padronizadas estão sendo amplamente difundidas através dos mais variados meios. Que essas criações estereotipadas, essas meias verdades, objetivam o lucro não resta dúvida - o que não acontecia nos séculos passados, mesmo se uma obra fosse encomendada ou se o artista fosse um simples empregado que deveria produzir arte para o consumo do patrão.”

Andersen Viana