sábado, 23 de julho de 2011
Jean Marie Schaeffer: Arte Conceitual, e, Arte Minimalista.
‘[...] Arte Conceitual, e, Arte Minimalista são artes de museu. Explico-me:se reencontramos um quadro (figurativo ou abstracto) fora do museu, por exemplo sobre um celeiro somos, por razões de pertença genérica, imediatamente levados a reconhecê-los como quadro e então como pertencente ao domínio artístico. Ao contrário, se nós reencontrarmos tal rolo de feltro de Beuys ou tal série de placas metálicas de Carl André fora de um lugar institucional tal como o museu ou a galeria, por exemplo, no mesmo celeiro, seriamos incapazes de decidir se se tratam de obras de arte ou de um simples rolo de feltro e duma simples amostragem de placas metálicas. É que a projetibilidade da obra conceitual e minimalista é,do ponto de vista da pertença genérica do objecto, totalmente indeterminada: o gênero objetual pertinente é aquele do não importa o que. É por essa razão, que como muito bem viu Thierry de Duve, esse tipo de arte é arte genérica, ou seja, arte sem nenhuma especificação genérica mais refinada. Logo, essa especificidade aí, aquela da arte como tal só pode ser aquela do contexto institucional, não mais no sentido abstracto do termo, mas no sentido o mais concreto: o museu e/ou a galeria. Dito diferentemente, o museu não somente faz parte da significação da obra mas ele é constituído de sua identidade: "Desde quando o contexto da arte apareceu como sendo o museu, pôs-se a produzir um tipo de arte da qual o museu era uma parte integrante da significação". Isso significa evidentemente que o museu de arte moderna tem uma função muito diferente do museu de arte tradicional, do mesmo modo que a galeria moderna tem uma função muito diferente do galerista de antigamente, em que a identificação das obras era genericamente garantida. O museu de arte moderna não reflecte mais somente a sanção do gosto, ele é uma instância de baptismo, de 'transfiguração'.